terça-feira, 9 de março de 2010

As férias grandes de 67

Nas férias grandes, como se dizia naquele tempo, às vezes ia passear com o meu Pai. Estas viagens apareciam de surpresa e neste ano não houve excepção. Quase na véspera da partida, soube que ia a Nova Iorque e Monreal. Imaginem o impacto desta notícia.



Chegada a Nova Iorque, a grandiosidade das avenidas e dos edifícios deixou-me atordoada.
Muita gente, muitas culturas, um mundo novo.
Muita coisa para ver e reter na memória. Agora, à distância, lembro a emoção que senti ao chegar ao topo do Empire State Building. Na altura era considerado o edifício mais alto do mundo. Estar ali com Nova Iorque lá em baixo onde tudo parecia pequenino, fazia-me sentir dona do mundo mas, por outro lado, a imponência do edifício reduzia-me à insignificância do tamanho de uma formiga.





Dali fomos para Monreal que é uma cidade muito bonita e onde, já na altura, residiam muitos portugueses.
Só a cidade já dava para ficar deslumbrada. O facto de nesse ano estar a decorrer a Expo 67 era uma coisa do outro mundo. O recinto da exposição, a arquitectura dos pavilhões, a utilização das mais modernas tecnologias, criavam um turbilhão de emoções. Era preciso reter tudo para depois contar aos amigos.

Passeios no campo

No Verão passeávamos pelo campo. Ouviam-se ao longe as conversas de quem trabalhava a terra. Às vezes a conversa era com o animal que ajudava no trabalho: "anda lá burro! estás com a mosca!"

Ainda me lembro das "burricadas". Era cada tombo! Ora era a albarda que estava mal apertada, ora era o burro que se assutava com qualquer coisa...





Pelos caminhos havia silvas.
As amoras madurinhas eram uma tentação.
Comiam-se mesmo ali com pó e tudo.
Nada fazia mal.




De vez em quando íamos apanhar amoras de amoreira.

Tínhamos que ter muito cuidado por causa das nódoas na roupa. Quem já foi às amoras sabe do que estou a falar. O que vale é que trazíamos umas amoras verdes que ajudavam a tirar a nódoa.
A certa altura também trazia folhas de amoreira. Tinha sido apanhada pela mania de ter bichos da seda em caixas de sapato.



Na Páscoa os campos estavam lindos. Haviam florzinhas de todas as cores e a erva crescia em toda a parte. Até parecia relva. As vacas pastavam nos lameiros e, de vez em quando, passava um rebanho de ovelhas guardadas pelo pastor e os cães, que impunham respeito.

A água corria pelos campos e havia ribeirinhos por todo o lado. Era a altura de ir aos agriões e aos azedões para a salada.



Azedões ou azedas
Plantas que pertencem à família das poligonáceas.
Crescem espontaneamente junto de paredes e muros. Contêm ácido oxálico, gordura, muita vitamina C, ácido salcílico, cálcio, ferro, manganês, ácido crisofânico, fitosterol e óleo. Devido ao seu elevado teor em vitamina C é um bom remédio contra o escorbuto. Devido ao seu teor em emodina e ácido crisofânico esta planta é usada para o tratamento da prisão de ventre. Forma combinações orgânicas de ferro fomentando a formação de sangue.
É boa para casos de anemia.
Emprega-se como salada e na confecção de sopas.



Junto às estradas as mimosas floridas tornavam a paisagem amarelinha.


Férias no Inverno

No Natal e Páscoa tinha que ir ver as Avós. As saudades que tenho delas e das histórias que contavam!

No Inverno sabia bem o aconchego da fogueira. À noite a ida para a cama exigia coragem pois a roupa estava gelada. O saco de água quente ajudava a confortar.

Apesar do frio, no Natal tínhamos que ir ao musgo para fazer o presépio. As mãos ficavam geladinhas, ou melhor, engaranhadas(como lá se diz). O caso complicava-se quando havia sincelo.

O sincelo é um fenómeno meteorológico
que acontece em situações de neblina aliado a uma temperatura abaixo de 0ºC e resulta do congelamento da água em suspensão, quando esta entra em contacto com uma superfície. Não deve ser confundido com geada. A película de gelo forma-se em qualquer superfície que contacta com a neblina, dando às folhas e caules das árvores uma aparência vítrea.

É um espectáculo mais bonito do que a neve.


Ainda me lembro de um Natal em que o sincelo era tanto que os fios do telefone e da electricidade se partiram com o peso do gelo. Estivemos três dias sem luz e sem telefone. Lá se foram buscar outra vez os vulgares candeeiros de pretróleo com chaminé, e os petromax.


Na Páscoa já não estava tanto frio mas a fogueira continuava acesa.


Antes do dia de ramos tínhamos que ir ao olival apanhar umas pernadas de oliveira para enfeitar com flores. Na missa do domingo de ramos toda a gente comentava qual era o ramo mais bonito e por isso tínhamos que caprichar.
Valia-me a Tia Maria do Carmo que tinha
no quintal umas cameleiras lindas e que
garantiam sucesso a mim a às minhas primas.


segunda-feira, 8 de março de 2010

Concursos

Não havia televisão. Um joguinho de cartas calhava sempre bem. Às vezes fazíamos concursos de adivinhas.

Aqui vão algumas:

Para andar põem-me a capa,
para andar tornam-me a tirar,
eu sem capa não ando,
com ela não posso andar.

Resposta:







Altos cavaleiros,
abrem-se as bolsas,
caem os dinheiros.

Resposta:










À meia noite se levanta o francês,
sabe das horas e não sabe do mês,
tem esporas e não é cavaleiro,
tem picão e não é pedreiro,
cava no chão e não acha dinheiro.

Resposta:













Serões com a família

Que saudades eu tenho dos serões em casa da Tia Maria do Carmo. Os primos tocavam viola e todos cantavam. Corríamos o reportório todo. No Natal tínhamos que cantar ao menino. As canções populares não eram esquecidas. Aqui vai uma das favoritas:


http://www.youtube.com/watch?v=s588Ux2QELA

Início

Ainda há pouco tempo não sabia muito bem o que era um blogue e agora já tenho dois. Não há nada como começar.
O primeiro foi feito em grupo e agora aqui estou eu, sem rede, a tentar sozinha.
Levanta-se a questão: que nome dar ao blogue?
Um blogue é um espaço interactivo. Tem que permitir a partilha com outras pessoas. Todos temos recordações das férias. Será interessante descobrir se as minhas recordações têm pontos comuns com as de outras pessoas.