No Natal e Páscoa tinha que ir ver as Avós. As saudades que tenho delas e das histórias que contavam!
No Inverno sabia bem o aconchego da fogueira. À noite a ida para a cama exigia coragem pois a roupa estava gelada. O saco de água quente ajudava a confortar.
Apesar do frio, no Natal tínhamos que ir ao musgo para fazer o presépio. As mãos ficavam geladinhas, ou melhor, engaranhadas(como lá se diz). O caso complicava-se quando havia sincelo.
que acontece em situações de neblina aliado a uma temperatura abaixo de 0ºC e resulta do congelamento da água em suspensão, quando esta entra em contacto com uma superfície. Não deve ser confundido com geada. A película de gelo forma-se em qualquer superfície que contacta com a neblina, dando às folhas e caules das árvores uma aparência vítrea.
É um espectáculo mais bonito do que a neve.
Ainda me lembro de um Natal em que o sincelo era tanto que os fios do telefone e da electricidade se partiram com o peso do gelo. Estivemos três dias sem luz e sem telefone. Lá se foram buscar outra vez os vulgares candeeiros de pretróleo com chaminé, e os petromax.
Na Páscoa já não estava tanto frio mas a fogueira continuava acesa.
Antes do dia de ramos tínhamos que ir ao olival apanhar umas pernadas de oliveira para enfeitar com flores. Na missa do domingo de ramos toda a gente comentava qual era o ramo mais bonito e por isso tínhamos que caprichar.
Valia-me a Tia Maria do Carmo que tinha
no quintal umas cameleiras lindas e que
garantiam sucesso a mim a às minhas primas.


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